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  • 09.03.2010 | MERCADO

    Indústria nacional prevê impacto reduzido de retaliação aos EUA

    A avaliação é que os itens da lista podem ser substituídos por itens locais ou de outros países, sem grandes prejuízos para os consumidor

    Os setores da indústria nacional afetados direta ou indiretamente pela lista de produtos dos Estados Unidos que vão sofrer retaliação por parte do Brasil, publicada nesta segunda-feira, 8, pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), avaliam que a medida trará pouco impacto em seus negócios. A avaliação é que os itens da lista, que passam a ter alíquotas de importação maiores, podem ser substituídos por itens locais ou de outros países, sem grandes prejuízos para os consumidores.



    "A retaliação não vai impactar a indústria nacional, pois grande parte dos produtos incluídos na lista não têm os Estados Unidos como principal fornecedor", disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Segundo ele, entre os cem principais produtos importados pelo Brasil dos EUA no ano passado apenas duas categorias foram incluídas na lista de retaliação.



    O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio, ressaltou que a indústria nacional têm "plena capacidade" de atender à demanda interna por estes produtos sobretaxados. "Essa retaliação não resultará em ônus algum aos consumidores", afirmou. Segundo ele, a lista não inclui matérias-primas ligadas ao segmento de higiene e cosméticos.



    Basílio disse que as principais origens das importações de produtos de higiene e cosméticos são a França e a Argentina, mas ponderou que os Estados Unidos estão entre os cinco primeiros. "Não descarto a possibilidade dos importadores buscarem em outros mercados os produtos que antes adquiriam dos Estados Unidos", disse. O executivo salientou que a retaliação imposta pela lista ao setor chega a US$ 60 milhões.



    O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, afirmou que os efeitos da lista ao setor são "inócuos, pois os produtos mais importados são, basicamente, componentes". "Se a lista atingisse os componentes poderia haver aumento no custo de produção no Brasil", disse. Segundo ele, o modelo de telefone celular atingido pela lista tem uma pequena demanda no Brasil.



    Segundo o presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, o Brasil não importa um volume significativo de leite em pó dos Estados Unidos, o que torna a decisão do governo brasileiro praticamente sem efeito sobre o mercado local. No ano passado, Argentina e Uruguai responderam por 88% das importações brasileiras de leite e derivados, o correspondente a US$ 234,1 milhões.



    "Não temos um mercado ativo com os Estados Unidos. Quando há necessidade de recorrer às importações, o Brasil normalmente traz leite e derivados dos países do Mercosul. Quando as compras vêm de outros mercados, há incidência de uma alíquota de 28% de imposto sobre as importações", observou Alvim. Com a decisão brasileira de retaliar os Estados Unidos, o imposto de importação sobe para 48%.



    A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) defendeu, em nota, a medida de retaliação e informou que prestará apoio aos setores afetados. A entidade "lamenta que o governo dos EUA não tenha cumprido, até o momento, as decisões da OMC", sobre o contencioso dos subsídios ao algodão. "A retaliação é o único instrumento legítimo e disponível legalmente para contrapor práticas desleais de comércio, que prejudicam os produtores de algodão do Brasil e de outros países", informou a entidade no comunicado.



    Contra

    Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) avalia que a inclusão dos automóveis na lista "preocupa" e pode acarretar "reflexos negativos para o setor automotivo". Mas a Anfavea tem esperança de que esse processo seja revertido. "Há um prazo de 30 dias para o início da retaliação e, nesse período, espera-se que possam ocorrer negociações que venham a alterar essa situação, viabilizando outras soluções possíveis e minimizando o impacto no comércio bilateral", expressou a entidade, em nota.



    Desde o princípio, a Anfavea acompanhou de perto este processo. A associação visitou várias lideranças do governo para tentar que veículos e peças usadas pela indústria automotiva não entrassem na lista de retaliação que o governo brasileiro. Em seu pleito junto ao governo, as montadoras falam da possibilidade de que a restrição às importações de produtos americanos encarecer os artigos vendidos no mercado brasileiro. Mas a maior bandeira da indústria é a de que uma retaliação do Brasil aos Estados Unidos neste momento poderia prejudicar as exportações futuras para aquele país.



    A lista de produtos que terão Imposto de Importação elevado para as compras dos Estados Unidos inclui 16 itens de alimentos, como leite em pó, avelãs, nozes, batatas preparadas ou conservadas, óleos de soja e de nabo, catchup, e gomas de mascar. O setor de alimentos é o que tem maior números de itens na lista, seguido por aparelhos eletrônicos, como telefones móveis, leitores de códigos de barra, alto-falantes e fones de ouvido.



    Foram incluídos na lista cinco tipos de automóveis que terão alíquota do Impostos de Importação elevada de 35% para 50%. Onze produtos agrícolas também terão aumento da tarifa, como trigo, soro de leite e alguns tipos de frutas frescas (peras, cerejas, uvas e ameixas). Além desses produtos, estão na lista 14 itens de higiene e cosméticos, como água de colônia, xampus, batons, e cremes de beleza. Seis produtos farmacêuticos e seis produtos médico-hospitalares também fazem parte da relação.



    Segundo a Camex, o valor total de retaliação atingido com a lista de bens divulgada hoje é de US$ 591 milhões. O restante do valor de retaliação a que tem direito o Brasil - US$ 238 milhões (perfazendo o total autorizado de US$ 829 milhões) - será aplicado nos setores de propriedade intelectual e serviços. As contramedidas autorizadas poderão vigorar enquanto os EUA mantiverem a atual situação de descumprimento dessas regras, apontou a Camex.

    Fonte: Portal Estadão

     

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